Fagulhas
Queria um pouco de ebulição. Agora reclamo de tê-la nestes ares de amanhã. Tá certo! O ser humano tem mesmo essa guerra profunda com o desejo. Desejo que dá asas àquelas noites frias com corpos ebulientes. Aos calabouços criados pelos nossos próprios quereres.
Só sei que morro de dificuldades de compreender algo nela além de mim. E é uma dificuldade intransponível. Uma quimera real implicante até com aquela roupa que lhe cobre, quando estamos sozinhos. Delirante. A minha cobra que lhe enrosca e sufoca.
Soa incompreensível, sei eu. O fato é que a poeira em sua nuca é um elemento estranho ao meu amor e, como tal, deve ser exterminado. Parece uma piromania das mais incendiárias, mas na prática é só posse do bebê. Apenas a sublimação do incômodo que sinto ao constatar más intenções. In dubio pro amor. Neologismo juridiquês que vem a calhar.
Arrebento-me de desânimo. Desgostoso ter que aturar certos detalhes. Faz-me querer parar. Implica-me a preferir não estar. Não é uma escolha. É uma expressão da essência do meu ser. Do meu mimo para amar. Da minha graça de beijar.
Tenho esperanças nela. Só tenho cores para ela. Dali soa um blues em mim. Um “todo amor que houver nessa vida”. Se não é nela que está o lado escuro, e meu, da lua, então talvez esteja destinado a ser um andarilho. Mais que isso. A amargar o afastamento dos afetos, pois nesta história é impossível fagulhas de concessões.
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* 7:12 PM
Rascunho de uma janela a ser escrita
Ele foi até a janela e contemplou o contraste da imensidão das paisagens com a superficialidade daqueles homens que se dizem humanos.
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* 12:03 AM
Da genialidade
A luta na genialidade é uma batalha em face de si. De tal modo que as outras excepcionalidades estão sempre na torcida. Elas entendem a necessidade de cooperação na era da complexidade dos saberes. Os que aparecem como acidentes de percurso são apenas estrelas dissociadas de sua órbita.
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* 9:49 PM
A Cruz
Sentimentos singelos conduziram respostas. Reencontro a minha vida, dou de cara com o meu ser próprio e chuto lá para longe aquele que era dos outros. É assim que me sinto. Hoje posso enunciar que simplesmente sou... E sou eu.
Penso aturdido, sou repleto de superlativos. Tudo é tão exagerado ou dilacerado. Nunca basta a contemplação da vida ser superlativada, pois é imprescindível a precedência do tão naquilo que já foi elevado ao alto grau. Essa é a estrada dos tijolos amarelos.
Ei! Dá um jeito de colocar o mais antes do alto grau! Estou carente de extremidade nesta felicidade! Pronto, agora melhorou... um pouco. Mas dá para melhorar muito mais, viu? Assim, ser a causa é pouco. Quero ser a causa em si.
Diria o sábio:
Maldito seja aquele movimento que se quer romântico, contudo este é pior. Conjuro então a maledicência em pessoa para que injurie e difame essa corja que, além de querer-se romântica, deseja-se cristã, socrática e obscura.
Fito os olhos dele com um sorriso antibudista e replico:
Cruzes! Estou para sentir, e muito, o que a existência tem em oferenda. E para piorar o seu desentendimento, aqui estou para sentires éticos impulsionados por virtudes construídas com a minha força. Por fim, para arrancar de vez o seu desprezo, pouco tenho a falar sobre essas virtudes, porque são indizíveis e irracionalizáveis por excelência. Tornaram-se rapsódias com o ralento do seu pensar.
Sigo assim, amando a morte como amo a vida. Satisfazendo-se apenas com a menina dos meus olhos. Estudando o que toca o coração. De repente, soa musical. Pétalas de rosas carregadas pelo vento. Fique aí com sua mística estabilidade racional, pois sou todo bossa-nova.
Deixe a minha cruz em paz! Sinto muito se não tem uma.
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* 1:28 AM
Do tempo
O tempo que se passa em luto é tempo que se passa à toa.
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* 11:28 PM
La vie
Ça ne fant pas la peine escapes de la vie. Elle est au tout endroit.
Um aviso aos desavisados: é muito mais fácil viver sem Nietzsche.
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* 11:05 PM
Le noir est jolie...
Agressividade mantenedora da minha vontade de viver. Criatividade arrebatadora do meu ser. Guerra fomentadora da explosão indispensável para o bem viver. Torne-te o que tu és. Sê forte mesmo diante do teu arqui-inimigo.
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* 8:17 PM
Unknown Girl
Vislumbro-te pelas sombras da existência. Sua alma canta a existência por meio da refinada escuridão. Onda noturna que desaba a autoridade do sol. E se pela luz se faz o mundo corrente, pela noite tudo derrubamos e doamos o consequente. Vem! Autorizo-te a adentrar os portais do meu ser. Dance! Acalentando o arco do triunfo e encarnando o belo amanhecer.
Ainda desconhecida em essência, porém portadora de peculiar subjetividade. Pela aparência de seus paradoxos, aposto em um tesouro repleto de sentimentalidades. Faça a potência, que Cronos cuida do ser. Sejamos intensas anomalias em um mundo de pobres imitações. No rastro de sua imagem, impressivo é o malabare do seu sorriso em arquitetar o colorido no preto e branco escolhido.
Desejo-te a mais bela das diferenças. Seja intensa... E faça ser.
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* 9:43 PM
Outono
Pensei que retornaria aqui para escrever-te a maior das alegrias, porém padeci diante de um sinistro crepúsculo. Os ventos cambiaram e sobra-me dor. Hoje sou filho do outono.
As folhas lentamente caem na terra molhada pelas minhas lágrimas. Minha vida é lacrimosa e essencialmente afetiva, mas o estranho é que não me arrependo disso. É como se cada princípio trouxesse dificuldades e cada amor um pouco de dor, todavia não restam dúvidas de que meu transbordar é apenas um sinal de estar na vida. E estar nela é constituí-la, dotá-la de personalidade e de particularidades próprias do meu ser.
Volto a ter orgulho dos meus atos e às vezes continuo me sentindo um estranho. Um espírito desconectado desta prisão; livre por si. Dois mil e sete iniciou com um pânico tão forte, que tenho até esperança de doravante ele impulsionar grandes feitos. Estou novamente cercado pelas minhas intensidades e afiado pelo meu desejo de posse. Sou dono dos meus princípios, senhor da minha vida e mestre do meu porvir.
Enfim, decidi resgatar a minha entrega do calabouço que criei. Não estarei mais protegido pelo niilismo. Que venha a superficialidade e tente rasgar a minha profundidade! Se tiver que cair, cairei lutando. Se tiver que morrer, morrerei sangrando.
A onda soturna banha o meu ser e o prepara para um novo devir. Finalmente estou preparado para a guerra. Para a batalha travada pelos refugiados da veritas contra o exército do niilismo.
Mas não nego que sinto frio. Muito frio. Mesmo antes do inverno. Ainda diante das lágrimas do outono...
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* 4:52 PM
A Música
Um dos principais sinais da decrepitude é o período derradeiro em que o espírito ignora e rejeita a música.
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* 5:06 PM
...
Só me resta arrastar a alma pelas ruas, como um pedinte qualquer, quando meu desejo à essência da vida atinge o ápice do meu querer. Tudo culpa daquele almoço com gosto de jantar... Tudo graças à tempestade daquele mar.
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* 8:37 PM
Lolita
A lolita é a evolução do gênero mulher.
Ponto final.
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* 3:35 PM
Sangrando
O sangue corre como salvação,
escorre deliciosamente pela pele
da miséria e da necessidade de ser vão.
Os espíritos livres são mitos,
criados pelo gênio ausente
e destruídos pela mediocridade dos eruditos.
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* 12:42 AM
I must be strong and carry on
Diário,
Dar-te-ei apenas uma escusa, pois sei que estou ausente. Diria até demasiadamente ausente. Distante das lutas e das belas compleições. As literaturas e filosofias estão morrendo de raiva de mim. Pudera... Tenho dado tantas falsas justificativas. Suplicar-te entendimento seria demais?
O meu mundo está tão pragmático. O Buarque não toca mais não. Desistiu. Quase todo mundo lavou as mãos. Eles pensam que sou um desistido. Enfim, não é que eu não esteja. Assim, um desistido. Até estou, meu bem. Porém gostaria de um salvo-conduto de que não sou. Afirmo solenemente ainda não contratarizar os sonhos. Por que pareça incrível, insisto em constitucionalizar uma coisa ali ou acolá. E, na semana vindoura, cinematizarei!
Mas não me engano. É preciso amar os que sabem amar. Isso leva um tempão, viu! Queria estar mais cuidado. Pra lançar-me com mais firmeza. Sei que os sacro ofícios vêm como tributo à salvação. Estou construindo. Por início arquitetando! Prelúdio de amor é assim mesmo. Fica tudo desorganizado com um montão de cimentos, tijolos e gizes espalhados.
Por fim, vou amar, amar e amar! Danem-se os que quiserem esperar! Estou amando mesmo neste check and balances.
Já repararam que amor não tem sinônimo?
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* 9:27 PM
O déspota e o oráculo
Diante da ruína do Palácio das Cem Luzes, o déspota foi desesperadamente ao encontro do esquecido oráculo:
- Preciso saber! O fatal erro... Qual foi?
- Respeito é presente que se ganha, não força que se impõe. Governaste pelo medo e ele é apenas o tempo que se esvai.
De súbito a flecha penetrou a carne e todas as jóias estalaram no mármore.
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* 1:00 AM
Universidade, doce universidade
Bradou o profeta:
Sobre o vácuo o conhecimento desfaz-se,
e subjaz o nada por trás das letras.
Três vezes traídos os citados se sentem,
diante do falso hierofante a queda pressentem.
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* 8:26 PM
A súplica do mago
Ele estava caído naquelas tristes trevas. Em torno do calabouço, o ar gélido cortava sua carne e as feridas de agora juntavam-se àquelas praticamente incicatrizáveis. Seu mundo já não o pertencia mais. E os gritos de jamais retumbavam em seu coração. A caída da princesa vermelha e a ascensão dos cavaleiros negros transformaram suas paisagens em labaredas aterrorizantes. O mago ensaiava o fim ainda sonhando com o início. As críticas veladas e a indiferença de muitos probacionistas da Santa Ordem somente se justificavam diante do desatino dos olhares. Olhares insutís: ignoravam a tempestade de sangue que escorria a partir do coração do mago.
Sua mente nada conseguia mais encontrar, sua arte não era mais perita em ser uma das demiurgas das estrelas, seu amor já era sem vontade e o olhar pairava vazio, triste... quase morto. Ele tentou levantar, porém as pernas e os braços exauriram diante das perspectivas tenebrosas que ele mesmo deixou serem criadas. Os espadachins habitantes do Templo de Anis pareciam longe demais. Para piorar, o mago desconfiava que eles o tinham esquecido. Os cavaleiros negros estavam cada vez mais próximos de atingir o coração da alquimia universal. Seus batalhões aproximavam-se cada vez mais do aniquilamento total. O mago lançou sua última energia para iluminar o calabouço e retirou um papiro e uma pena de seu manto. Aos prantos, o recado foi breve:
- Clamo por socorro. Onde está a princesa? Há algum modo de eu restaurar minha mana? Pós-escrito: Ainda tenho o amor em algum lugar.
De imediato, após escrever aquelas duas linhas tumultuadas, fez artisticamente um arcano sinal e o babuíno apareceu.
- Por favor, entregue esta súplica para aqueles que ainda sabem ler.
O babuíno assentiu e desapareceu. Não existiam mais forças. O mago subitamente desmaiou, quiçá para sempre.
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* 11:49 PM
Will
Entendo a Verdadeira Vontade como uma noz no oceano. Ela é a essência interior que aumenta a nossa potência de ser. Através dela somos retas em direção ao infinito, não mais círculos. Somos raios, não mais explosões desconexas. Enfim, estrelas em suas órbitas. A Verdadeira Vontade é a essência da mera atual existência, cuja matriz é o desvelar do espírito perante a consciência. Tornando-a iluminada do fim e onisciente dos meios. Minha verdadeira preciosidade. Completude. Meu universo, amargo e doce universo.
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* 9:59 PM
A criança
A criança, a terceira, é o milagre imanente do ser humano. O motivo principal, o grandioso acontecimento, que torna possível a continuação da existência. Desse modo, ela aparece como a guia de Teseu no labirinto do minotauro. A criança é aquela que torna os pais - protagonistas da relação erótica - uma potência em Andromeda, dispostos a qualquer momento a serem acorrentados nas rochas marítimas, oferecendo sua vida em sacrifício a Cetus: o monstro enviado por Poseidon. Devido a essa entrega em prol do absolutamente outro, que o mundo vem em socorro, na figura de Perseus, o qual mata Cetus e se casa com Andromeda.
A criança é o porto seguro da humanidade. Não só porque é o empreendimento supremo de amor ou porque é a chave que torna possível aos seres perseverarem na existência; mais ainda, ela é a condutora do ser até os portões da justiça, que se escancaram diante de sua presença, revelando o absoluto colorido da vida.
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* 6:05 PM
Um fragmento de um sonho...
Hoje nada há de mais importante do que a atividade de religar o mundo aos seus sonhos.
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* 11:09 PM
Introdução de um Porvir
Equilibre-se. Envolva-se e descomponha-se em eterna composição. O amor é a lei. Experimente-se e seja experimentado. Desequilibre-se se for necessário ao equilíbrio. Descubra fórmulas para si e não se feche nas prescritas. Morra logo de uma vez! O raiar do sol está esperando apenas a sua vontade de ser infante.
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* 4:12 PM
Fragmentos de uma distância
No presente nada posso fazer, há não ser sentir.
Existem artefatos que não estão em nossas mãos, mas nas do tempo e do destino.
Deixe Cronos jogar os dados, estúpido!
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* 12:28 PM
Anjo
Estava pensando nos passos daquele anjo e aprendi que a delicadeza é gêmea da força. O anjo voava tão rápido, que só se via os lampejos de suas asas naquela floresta densa e instigante. Foi um presente divino conhecer sua alma. Ela era multicolorida e rodeada de brilhos e cristais. Encontro-me agora cego a procura daquela auréola.
Sou um caçador de almas interessado apenas na mais bela e acredito que a tenha encontrado no interior daquele anjo... Mas não se engane, não quero tomá-la para aprisoná-la em um museu e sim libertá-la por completo amalgamando seu calor ao meu. A chuva cai gostosa, enquanto escrevo essas linhas turvas cheias de sentimentalidades. Parece ter Deus entendido que o dia não é de praia, mas de palavras. Sua onisciência sabe da ocorrência do encontro de dois anjos em uma floresta distante.
Neste momento, um anjo está desesperadamente procurando o outro. Suas vestes estão rasgadas e seu corpo debilitado, todavia nem por um segundo ele pensa em desistir da tarefa, pois, em um mundo de tolos, o encontro entre anjos é um banquete divino, como convite em direção à perfeição.
Dá-se assim o início da peça: temos dois anjos, uma floresta e uma distância. Haverá desenvolvimento? Depende do talento dos atores.
E continuo a pensar nos passos daquele anjo...
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* 5:53 PM
O Segredo
A realidade é mar de fúria
para os que estão
e de rosas
para os que são.
A fúria deixo para lá,
pois sou de rosas.
Rosas lacrimosas
de um jardim incalculado.
Sou visível no que não sou e,
com a invisibilidade despedaçada,
espero a indecência
narcísica de uma vida.
Uma vida fiel do segredo:
rosas são selvagens e
expansivas.
Rosas são dilacerantes,
intrometidas e impacientes.
Aguardam a dor da revelação:
a consciência pelo mundo
aumenta com a sua...
felicidade.
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* 2:51 AM
Aforisma sobre o machismo
Quando o sol se aproxima demais da terra, brilha e queima tão intensamente, que destrói toda a natureza humana.
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* 12:14 AM
Aforisma da minha inadequada decisão
Mais vale a vida do que a sobrevivência. Mais vale o risco do que uma psique destruída pela punição e o pecado.
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* 12:23 PM
Das Leben 2
Cresce. crescemos. e estamos nós aqui no mistério da vida... vivendo.
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* 7:05 PM
Das Leben
A vida tem um jeito estranho de chegar na gente... Às vezes sentimos uma falta absurda dela, um desejo indizível de tê-la, mas de repente ela vem de fininho e te canta. Canta-te toda à mulher. E ficamos todos bobos; todos meninos diante de tamanho mundo de criatividade e simplicidade. Bem-aventurados são os poucos que conseguem perceber esse processo! que aconchego sentir o clamor da nossa essência divina! pela lei de Thelema, cada um é o Deus do seu próprio universo. Os nossos olhos então percebem os ares além do horizonte e tudo fica pronto para multicolorir. Multicolorido com cara de mãe e força de pai. Assim... bem família.
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por IGOR LUPESI
* 10:34 PM
Olá galera,
Infelizmente o antigo sistema de comentários não estava funcionando. Os comentários eram deletados constantemente, então troquei o servidor deles - coloquei o do blogger mesmo -. Perdi todas as mensagens de vocês. É uma pena. Peço para que comentem. É sempre gostoso receber o feedback de vocês.
Posto um aforisma meu para não perder o costume. Segue:
O professor é ativo, quando sabe ouvir; já o aluno é ativo, quando sabe falar.
Mas tudo que termina em poesia, termina melhor:
te livrando:
castillo de alusiones
forest of mirrors
anjo
que extermina
a dor
(Ana Cristina Cesar)
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por IGOR LUPESI
* 1:49 AM
Fragmentos dos testemunhos da minha mente
Para o amor encontrar é preciso que se ame os que podem amar.
Qualidade universal: ter sonhos. Às vezes nos esquecemos, mas estão sempre escondidos na complexidade cerebral.
Há uma grande diferença entre utilizar a vida e efetivamente vivê-la.
Como promessas são energias do porvir, respeito-as em demasia.
O tempo vai passando... curando as amarguras dos pobres, fortalecendo os desejos dos fortes de alma e jogando os tolos para as páginas negras da história, ou para o vácuo do esquecimento. Vou voltando... leio estética, filosofia, direito, sociologia, pansofia e tantos outros "ias". Vou aprendendo que quando mais leio, menos sei, pois as portas da percepção se abrem constantemente.
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por IGOR LUPESI
* 6:48 PM
A Sombra
Hoje uma nova sombra fortalece as estruturas da imoralidade. Ela, a sombra, é o efeito de um sistema indiferente a todos nós. É o poder que nos entristece dia após dia, o qual nos eleva ao máximo da produtividade e ao mínimo de humanidade. Caminhamos em direção a lugar nenhum... e o perigo é conseguirmos encontrar esta Terra do Nada. Esta terra que pode revelar uma possível salvação para a estrutura da realidade: a destruição da humanidade. A erradicação de seres que, possivelmente, nasceram para perder, desistir, menosprezar e mediocrizar.
Estamos há poucos anos do derradeiro requiem, ou do fabuloso prelúdio. Seremos, mais cedo ou mais tarde, obrigados a ultrapassar a nossa tendência a fraqueza e a ignorância, sob pena de consolidarmos a impressão de um fim tardio a estes animais, cuja característica principal é serem mestres na arte da mentira. Ou inventamos uma nova forma de convivência-cooperação-coordenação, ou estaremos fadados a erradicação de nossas próprias vidas por nossas próprias máquinas.
Hoje estamos dissociados de nossa vida. Fingimos que vivemos, mas, ao contrário, apenas utilizamos a existência. Utilizamos e concentramos todas as nossas forças para repetir técnicas de mortificação, as quais são direcionadas contra nós, contra a conscientização da nossa própria subjetividade, liberdade e potencialidade. A moda é se entregar, simplesmente deixar se esvair; permitir-se a condução para um estado em que todos os nossos momentos sejam podados. É como se a nossa passagem não fosse mais nada do que isso... do que essa coisa "mais-ou-menos". Essa coisa "assim-assim" que reproduziram para a gente, e que todos nós, munidos de nossa futura frustração, reproduziremos para os nossos filhos.
A era atual é a da liquidez. Governada por ela, a sombra. Tudo deve ser extremamente volátil, indolor, rápido e narcisista. A nossa função, como seres humanos, é disputar um lugar em um pódio. É imprimir o máximo de velocidade para escapar das relações intersubjetivas e atingir individualmente o topo. Um topo solitário e sinistro, que nos proporcionará tudo. Drogas para que possamos esquecer que pensamos, sexo desvairado para que possamos deslembrar da existência do outro e riqueza para que possamos consumir... ao mesmo tempo que somos consumidos.
Finalmente, chegou a hora de explanar as regras do jogo. O manual da vida breve e indolor será apresentado agora. Que o máximo de atenção seja depositado na absorção destas palavras. Primeiro, para que sua vida dê certo, nunca se atreva a perguntar se a sua vida está próxima daquilo que você sonhava para ti. Segundo, o segredo do sucesso é se envolver o menos possível; quanto menos você se envolve, mais fácil será descartar o lixo quando não precisar mais dele. Terceiro, aprenda o mais rápido possível estas chaves - repita-as sempre que se sentir ameaçado - : "Você precisa respeitar a minha ordem". "Você deve respeitar minha opinião". "Não me questione, pois esta é minha opção de vida". "Eu vou te processar por danos morais". Quarto, não se atreva a ler nada que te faça pensar. Quinto, quando começar a amar alguém, pense duas vezes, lembre-se que isso pode atrapalhar o seu intercâmbio, atrasar o seu trabalho e diminuir a sua estabilidade. Estas cinco regras são as mais importantes, porém há o princípio fundamental do sistema. Sem ele, nada dará certo. Lembre-se: decore-o, de preferência colocando-o no seu interior, há frente do seu próprio coração. Está preparado? Lá vai então. Nunca olhe para trás... Sob hipótese alguma volte os seus olhos para o que passou, pois não irá suportar a visão e pode ser que sua existência pueril fique limitada a busca de sua consciência perdida. De resto, seja muito bem-vindo ao jogo de sua própria vida.
Hoje uma nova sombra fortalece as estruturas da imoralidade. O nome desta sombra é auto-suficiência. Diante dela, todo o possível é impossibilitado e todo medo potencializado. Seja muito bem-vindo as perspectivas do possível. Este é quase o único caminho.
A exceção?
A exceção é constituída por uma minoria que fazem das suas frustrações as cicatrizes dos seus sonhos.
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por IGOR LUPESI
* 1:57 AM
A veia conservadora de uma pessoa diminui na exata medida em que a sua felicidade aumenta.
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por IGOR LUPESI
* 8:28 PM
Canto à vida [cantado pelo meu eu de nove anos]
Minha vida... amo.
Quero,
necessito e
preciso.
Minha vida, amo-te.
Amo-te tanto que quero dividir-te com o mundo.
Vida solidária, ambiental e afetiva:
alternativa vida verde...
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por IGOR LUPESI
* 1:48 AM
Mil Cristais
Rodeada de mil proteções e
trajada de uma tímida timidez,
passa discreta pela multidão...
que pula, enquanto ela sonha.
Detentora de dores e alegrias,
já é um acúmulo de paixões
refletidas pelo contraste
dos seus caracóis.
Cachos cristalinos na negritude,
que ao combinar com o sereno olhar,
reflete a profundidade de sua beleza;
daquele belo de rasgante complexidade.
Menina de vinte e duas responsabilidades
comparadas às minhas dezessete limitações.
Comparação que vai vencendo o tempo,
enquanto perdura o carinho.
Carinho que já me rendeu
pela força do seu toque.
E o sentido ainda é enebriante
mesmo diante dos blogs e flogs de distância.
Garota cheia de Rios com Ostras,
tão pequenininha como a vida...
é minha frase de ouro entre as flores:
"la tua pace".
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por IGOR LUPESI
* 7:23 PM
Bela passagem do quarto livro do Príncipe dos Filósofos
"Por certo, só uma feroz e triste supertição proíbe que nos alegremos (...) Tal é a minha regra, tal e minha convicção. Nenhuma divindade, nem ninguém, a não ser um invejoso, se compraz com a minha impotência e com o meu mal, nem pode ter na conta de virtude as nossas lágrimas, os nossos soluços, o nosso medo (...) pelo contrário, quanto maior fora a alegria de que somos afetados, tanto maior é a perfeição a que passamos".
(Benedictus de Spinoza, A Ética Demonstrada à Maneira dos Geômetras)
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por IGOR LUPESI
* 6:44 PM
Salmo 23, Capítulo 4
"Se eu fosse mágico? Não existiria droga, nem fome e nem polícia".
(Depoimento anônimo, Racionais Mc´s - Sobrevivendo no Inferno)
Cap. 1 - Jogo de Búzios de um possível futuro
Não sei mais nada sobre aquilo que tenho de tão pouco. Não sei mais nada sobre esta coisa rica... me afastando da vida. Não sei mais nada sobre mim, e sigo embalado nesta droga de vida.
O início da noite é sempre a mesma desgraça. Fico aqui esperando um milagre de Nossa Senhora, que interceda diante destes putos e me ajude a arrancar o ouro com ferro e sangue. Que todos os santos abençoem esta minha dor! Rogo por respeito... respeito que vem quando deles algo posso tirar. Pai nosso que estais no céu, venha a terra pois minha consciência já tá confusa, seja feita a Tua vontade, e dê-me força diante destes barulhos e cores do asfalto, que dilapidam qualquer calmaria. São Jorge, me empresta o dragão. Feche teus olhos diante do que irei fazer. Xangô, não tenho mais medo de te pedir justiça. Tua espada vai cortar em meu favor. Meu exú, irmão, entregue-me a mensagem da tua força. Pombagira, dama selvagem, traga-me alguém amparada por ti após meu ato, pois apesar de não sentir mais dor, ainda preciso esquecer. Esquecer meu próprio esquecimento.
Ontem fui humilhado. Hoje penso em dar o troco. Playboys são fodas!
...
talvez não talvez sim não sei mais quem sabe. Humilhar não... ainda me inspiro no Cristo, mas naquele vivo, aquele fora desta podridão, que luta por mim, em mim.
Cap. 2 - Viagem de volta a um tempo sempre igual
Tô confuso, mãe. Esta coisa tá confundindo minha vista. Melhor assim. Assim eu rio direto, porque eu sou mais feio que os outros. Eles tem tudo que traz alegria... Irado! Também quero. Vou atrás.
Puta que pariu! é só andar um pouco que dói as costas. Maldito polícia. Polícia me humilha. Polícia faz minha irmã chorar sem roupa. Polícia é tudo safado, se eu ver... eu mato!
Mundo barulhento, buzinado e safado! vou cheirar mais um pouquinho esta parada boa... Irado! Vou sentar um pouco. Mãe... Por que eles riem tanto? Será que a cola deles é melhor que a minha? Pô, mó saudade do meu pai.
Agora é a hora! vamos lá... como me ensinaram mesmo? Porra, esqueci... merda de cola boa. Ah! lembrei... procurar um carro com a janela aberta. Simbora! lá vou eu.
O cara tá olhando pra mim, mas não fechou a janela. Por que será?
Passa o dinheiro! vai, passa! passa logo!
Calma? Calma é o caralho!
Poxa, só 3 reais? Ah, não! Passa o relógio!
Tem algo errado aqui. Ele não me dá o relógio, mas também não faz força pra tirá-lo. Acho que pode tá confuso como eu. Ele?
Tensão. Todo mundo tá olhando... merda! pode ser que os caras venham. Passa o relógio!
Não faz força. Não me bate. Seria fácil... sou pequeno, magro, todo feio.
Caraca! tá vindo alguém. Vou correr sem relógio mesmo!
Mas que merda! só corro! todo dia, corro. Algum dia, morro. Que raiva! quase não sinto mais dor... e olha que só tenho cinco anos.
Já sei o que vou fazer. O mesmo de sempre: "Pai nosso, que estais no céu, santificado seja..."
"e mesmo que eu ande no Vale
da sombra e da morte
não temerei mal algum
porque tu estás comigo"
(Salmo 23 cap. 4)
O poema abaixo foi criado trinta minutos após a tentativa de assalto:
"Menino,
cinco anos,
cola,
assalto,
perdido,
abandonado,
desesperançado.
Realidade,
absorto,
ódio,
escuridão,
medo,
fuga...
Fim."
Enviado
por IGOR LUPESI
* 11:25 PM
Buscando
a arte.
Um dia hei de encontrá-la.
Ela,
a arte.
Para aquele que sente é arte.
Para aquele que pouco sente
é arte.
Mas daqui há algum tempo.
Tempo sem tempo.
Tempo-de-todos:
otempodaarte!
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por IGOR LUPESI
* 2:01 AM
As tragédias é que entram para a história. Os finais felizes são finais anônimos.
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por IGOR LUPESI
* 12:19 AM
Menina de Rua
Nunca pensamos que seria tão difícil encontrar meninos de rua naquela terça-feira ensolarada, porém assim foi. Andamos cerca de duas horas pelas ruas do Leblon, visitamos parques, passamos por hospitais e observamos becos: não encontramos ninguém que pudesse ser entrevistado. Digo "pudesse ser entrevistado", porque nos deparamos com alguns adolescentes de rua, mas em grupos e evidentemente drogados. Abordá-los, naquele contexto, seria demasiadamente perigoso. Além do mais, os guardas municipais já tinham nos avisado para tomar cuidado. Nenhuma surpresa... Temos consciência da periculosidade da desigualdade social. Dores advindas da concentração de riquezas, não deles. São tão humanos quanto os ditos humanos pela elite; e, ao contrário do que pensava Rousseau, seres humanos não são naturalmente bons. Aliás, a aceitação de uma condição miserável é bondade? Ou será que podemos caracterizar a violência como uma forma de resistência?
O óbvio às vezes é mais difícil de ser notado do que o complexo. O número de crianças de rua é indiretamente proporcional ao de guardas. O poder de polícia no Leblon é ostensivo, é forte, é palpável e simpático com os homens de boa aparência. Nova conclusão: o número de guardas é diretamente proporcional ao número de vectras - ou seja lá qual for o automóvel da moda -, jóias e ternos armani. Resolvemos tirar a prova real da hipótese. Não tardou para avistarmos outro guarda no parque.
- Onde podemos encontrar meninos de rua?
- Esta hora é difícil. Nós expulsamos eles sempre que aparecem por aqui.
Ótimo. Vivemos em uma cidade em que o parque está proibido para as crianças. Um viva à tão sonhada República do Brasil.
Decidimos caminhar até Copacabana. Já estava escurecendo, esfriando, anoitecendo. Talvez agora eles possam aparecer. No escuro atrapalha menos o cartão-postal da cidade maravilhosa. Chegamos e fomos diretamente ao terceiro parque. Encontramos duas famílias, lá tinham crianças. Trabalhavam com papelões, nova moda daquelas mentes criativas. A criatividade é filha da perseverança. Dentre o funk, a literatura marginal e a arte de rua, surgem também os malabaristas das bolinhas de tênis e os moços dos papelões. Emprego informal em um país imoral.
Nos aproximamos de uma menina, ao lado estava o pai. Pedimos licensa.
- Podemos entrevistar sua filha?
- Isso quem decide é ela.
A menina estava com uma camisa longa vermelha, que mais parecia uma camisola de adulto, a qual cobria todo o seu corpo, além de ela puxar a gola até o nariz, cobrindo assim uma parte do rosto. O corpo era franzino. O olhar receptivo; sem medo.
- Qual o seu nome?
- Meu nome é Tainá.
- Podemos falar um pouquinho contigo?
Ela abriu um sorriso.
- Pode, ora.
A Tainá tem 15 anos. Mora ali mesmo no parque. Contou que gostava de andar, nadar, pular das pedras ao mar na praia, jogar futebol e ir ao baile - o que contou com uma animação típica de adolescente -. Se ela estudava? Ah, sim! Estudava sim. E o pai fez questão de contar com um vigor que só vendo.
- Eu gosto de Inglês - disse a menina.
- Ah, é? E o que você quer ser quando crescer?
Ela arregalou os olhos.
- Quero ser policial!
- Por quê?
- Porque tem muita injustiça. Muita gente cheirando cola, viu?
Ficamos surpresos com a resposta. A Tainá quer justiça. Talvez, lá no fundo, todos nós a queremos. O problema é que somos fracos demais de espírito. Dirigimo-nos ao pai.
- Vocês recebem alguma ajuda do governo?
A face amigável mudou de pronto. O tom sempre sereno, naquela hora foi ríspido.
- Não! Graças a Deus.
A Tainá disse ser mais ou menos feliz. Não tinha o que mais queria.
- Uma casa... Bem grande. Só que quero ela só pra mim! Não quero casar tão cedo.
O riso foi generalizado. Alegria.
Tinha chegado a hora da despedida. Não podemos dizer que estávamos bem. Aliás, bem estávamos, mas tinha algo além. O além era o sentimento de impotência.
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* 3:12 AM
O Capitalismo
Sabiam que existem pessoas - muito cultas! - que dizem ser esta a melhor forma de vencer a potência aí entitulada no título? Com alegria. Há lendas até. Se bem que sempre foi assim, é com alegria - sem preconceitos, imposições, ou dominações - que se transforma; que se transmuta. Destes sonhos, destes porvires, destes devaneios... Destes nascem as teorias que tentam se encarnar na prática e vencer o status opressor vigente.
É como aquela música do Caetano, dos Podres Poderes.
*** Este texto está sendo colocado em homenagem ao Alexandre. Amigo de uma sinceridade alarmante.
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* 12:39 AM
Dentro desta divina comédia, neste livro com linhas turvas e múltiplos idiomas, aprego meu ser neste inferno, torço as chagas das chamas e da arca do fogo retiro o tesouro do céu.
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* 4:59 PM
Bem, meu bem...
Espere um pouco mais de tudo, acredite um pouco menos no nada. Abra fronteiras, crie espaços e seja poética até com uma bolha de sabão.
Vá ao mundo astral e traga cá a sua astralidade. Procure os elementos no corpo e atinga a quintessência da imanência. Seja espírito, descontrole, descaracterização e volição. Permita-se viver e não se acanhe em deixar de não-ser.
Produza seus próprios sucos de rocamboles. Beije, sonhe, pense e justifique todo o devaneio.
Intua a arte, sinta toda esta introvisão e constitua-se em outros infinitamente especiais. Viva tudo que não te deixe só e seja uma só.
Exploda suavemente em raios desconexos. Assuma a beleza das utopias, escolha o lado dos tambores, aceite a negritude; veja a beleza no diferente e sinta a maçã, dentro de um quadrado, dentro de um elefante, dentro de uma aquarela...
Tudo o que faz sentido é belo. Todo gozo é essencialmente puro. Pra que viver sem construir castelos verdadeiramente eternos?
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* 11:45 PM
É a sua vez...
Pelo menos uma vez,
deixa eu te dar o mando,
deixa eu deixar
amando.
Sonhos cosmogônicos.
Pelo menos uma vez,
deixa eu ser perfume,
deixa eu deitar
tranquilo.
Embainhando a espada.
Pelo menos uma vez,
deixa eu te dar a vez,
ser guardião da
esperança.
Me acorda quando o mundo acabar?
Amando tranquilo a esperança.
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por IGOR LUPESI
* 3:18 PM
Minhas frustrações são as cicatrizes dos meus sonhos.
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por IGOR LUPESI
* 9:59 PM
A estética é o limiar da vontade, mas tente levantar toda as suas concepções de beleza para poder ver o belo em essência.
Sofra e ame um outro real e palpável, que possa te levar aos mais arriscados devaneios cromáticos.
Não caia em nenhum erro, pois é fruto da desistência do sonhar. Vá dançar nos mais belos espaços, minha querida menina das flores.
Venceremos as dores através da nossa mais bela promissão. Busquemos a união que faz do amor um amor.
Tudo que é belo, é a expressão dos elementos do nosso inconsciente. Tudo que é falso, é a visão do belo pré-moldado, porque o bonito não é; o bonito se constitui. Constitui-se em nossas vidas com alteridades expressivamente apaixonantes.
Façamos do ar a nossa glória! façamos do amor a nossa arte! façamos das lágrimas a nossa vida!
O nosso final feliz é a nossa magia de criar.
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por IGOR LUPESI
* 1:40 AM
Não importa o quanto tu quiseres matá-la, ó mundo... Eu a amo com toda a minha potência!
Minha musa, tu a cada dia caminhas com mais dificuldade, porém somos teimosos e insistimos em amá-la.
Tu és a noz no oceano, a multiplicidade de singularidades, a desconstrução e o ser pelo qual me uno qualitativamente por amor.
Tu és a idéia adequada, a guerra, o imperativo, o ser-no-mundo, o fenômeno, a subjetividade e a flor que se revela após a náusea.
Não me interessa o quanto Eles te machuquem, querida minha, pois tu és a dona da reflexão e da esperança.
O Mundo irá um dia pensar e este coro há de aumentar:
FILOSOFIA, EU TE AMO!
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por IGOR LUPESI
* 1:09 AM
Não tô na lona!
Eu não sei quais são suas medidas, ou suas pretensões, mas pra mim chega de estupidez! estive aqui com todo o alento do mundo. Não acredito que perdes tanto devido aos seus complexos de édipo tão falaciosos. Baby, você passou dos limites das ilimitações!
Quero ver aonde vai encontrar sentimentos livres e fortes assim! que queres? altura pra proteção e projeção? me faz rir... sendo que pra disfarçar a perdição. Estive todo aqui fugaz, tão love me tender, com braços bem movimentados, cartas com sentimentalidades e rasgado de bombons. Preferes ir lá atrás das pílulas mágicas, então que vás! bobeira minha é ter stress. Já passei desta fase, querida. Tenho tantas atrizes pra conhecer ainda.
Quer saber? vou escalar o Pão de Açucar pra suar bastante, mas quando chegar lá vou abrir os braços e pular! esperas que vou voar. Sempre vôo nestas horas, e na hora agá darei um rasante capturando a morena mais sensível. Ao som de blues. Ao som de bossa nova. Ao som de tudo que vale a pena.
Tu perdeste os mistérios do clarão do luar, as movimentações tão sutis das mãos durante o ofegante respirar, as massagens tão cheias de monanges ao som buarqueano tão presente na magia dos incensos, e a oportunidade de proclamar a já costumeira pergunta, quando a sensibilidade descobre o segredo: não, não vou revelar.
Agora não dá pra ser humilde, estou cercado de compassion. Saibas que detesto isto, mas o Brasil tem que andar. Vou mandar estas palavrinhas pro blog, pois os correios estão entregando as cartas todas enlameadas. Estás lendo o jornal pra internalizar a vergonha? ah! desisto. Chamarei as princesas do meu celular. Talvez aquela de quinze que está a esperar. Fim do último round.
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por IGOR LUPESI
* 11:14 PM
Menino,
cinco anos,
cola,
assalto,
perdido,
abandonado,
desesperançado.
Realidade,
absorto,
ódio,
escuridão,
medo,
fuga...
Fim.
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por IGOR LUPESI
* 10:06 PM
Uma pequena carta para a menina das estrelas (ou seria das águas?):
Atemorizada pelo mundo e sem medo dele. Ebulição de forças e propensão ao resguardo. Muitos sentimentos abertos e tão interiorizados. Algo guardado lá no fundo, quase perdido no vácuo, a espera do ato de desbravar, de mergulhar em direção aos mistérios. Tão nova e já questiona Deus - ótimo! -. Pequena e grande, mas mais bonitinha não há, por certo.
Tão brasileira, toda verde-amarela-azul-e-branca e ainda com alguma cisma da busca do fora. Ir ao fora para descobrir o dentro. Potência de revolucionária, gosto pelo que é sensível e ainda com superficialidades. Dezesseis anos com muito menos superficialidades do que quando eu tinha dezessete.
Assustada. Responsável. Defensora. Confusa. Sensível. Racionalista. Dramática. Meio Kantiana, mas trago cá pra potência constitutiva de Espinosa. Intuitiva. Pensativa. Interiorizada. Pouquíssimo elitizada, porém faço votos que o pouquíssimo em breve seja nada.
Ela é Água-estrela, Estrela-água.
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por IGOR LUPESI
* 12:20 AM
"Felicidade é ter o que fazer,
ter o que amar,
e ter o que esperar..."
(Aristóteles)
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por IGOR LUPESI
* 11:19 PM